O canto do vento nos Ciprestes

Há pouco quis ir lá acima para ver como estavas; se
ainda tinhas dores, ou febre - ou medo (porque já
estava a escurecer); se querias que te lesse o que vem
no jornal sobre as feridas do mundo (mesmo sabendo
que esse mundo já não vai ser o teu) ou que te levasse
para junto da janela, onde ao cair da noite o vento
deixa as dunas desgrenhadas e as aves são como lenços
rasgados sobre o mar. A meio da escada, o olhar órfão
da cadela e das flores secas no vaso lembram-me
que era tarde de mais para tudo isso: nesta casa,
a partir de agora, os degraus só se podem descer.
Maria do Rosário Pedreira
Posted by Clitie at 22:26
Gosto muito desta poetisa. Boa escolha:) beijos
Posted by
wind11:32 AM
subi demais aos céus estranhos por ti...desci sem olhar o que me via assim...
Posted by
Joca10:46 PM
Gostei!
Bom fim de semana
Bjs
Posted by
Alma Minha3:39 PM