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Sábado, Junho 10, 2006 

Dia de Camões e de Portugal.

Velho do Restelo

Personagem de Os Lusíadas (canto IV, estâncias 94 a 104) geralmente considerada representativa da velha nobreza da época, que defendia a expansão portuguesa para o Norte de África em detrimento do rumo do Oriente, preferido pela burguesia.
Quando as mães lamentam a partida dos filhos, seu último amparo, quando as esposas clamam os seus direitos sobre os seus esposos, enfim, quando na hora da partida de Belém (Lisboa) a multidão se contorce com dores e angústias, ergue-se a voz de um Velho de "aspeito venerando" com um saber de experiências feito a condenar a expedição e a motivação moral que a inspira e promove. Quem é este velho? O que representa ele?Muito se tem escrito sobre o significado deste controverso episódio. No plano histórico, o velho representaria a opinião daqueles que, nessa altura, se opunham à ida à Índia. Era a velha nobreza que defendia a nossa expansão para o norte de África, mais fácil e mais proveitosa, em oposição à burguesia ascendente que pretendia o Oriente. No plano humano, representaria a voz do bom senso que aconselhava a que não se ultrapassassem os limites permitidos pelas possibilidades humanas e se evitassem aventuras que poderiam terminar em desgraças. É por isso que o Velho evoca, para os condenar, os símbolos da insatisfação: Adão, Faetonte, Dédalo, Ícaro e Prometeu.O problema começa quando comparamos a tese da obra - a ida à Índia - com as palavras do velho, condenatórias da mesma empresa. Não haverá aqui uma contradição insanável? Será possível conciliar aspectos aparentemente contraditórios?É provável que Camões tenha querido expor, no momento da partida, o que se passava na sociedade portuguesa; é aceitável que Camões aproveite a ocasião para denunciar falsos oportunismos e mesquinhos interesses, como fará mais tarde ao longo de vários Cantos; é bem possível que o Velho funcione a favor da tese da obra: apesar das suas palavras negativas, a viagem faz-se; os heróis não temem os riscos, a ousadia é a sua alma. Chegando à Índia, como chegaram, conquistaram o mar. Neste sentido, por linhas travessas ter-se-á escrito direito. Assim a voz do Velho seria mesmo a de um humanista - aqui o alter-ego de Camões - que, evidenciando as dificuldades e defendendo aparentemente o mais fácil, acabou por salientar o acontecimento, o valor do ser humano, aquele "bicho da terra tão pequeno" (I, 106) que, novo Ícaro, novo Prometeu, aposta e vence.
Neste dia de Protugal achei por bem fazer referencia a uma das nossas obras de "culto", que nos conta parte da história deste povo de maneira genial e que poucas pessoas têm a "paciência" de ler.
E porque as mentalidades continuam muito parecidas, hoje, às do velho do Restelo descrito por Camões.

Posted by Clitie at 11:03

Infelizmente a figura do velho do restelo parmanece aina nalguns sectores da sociedade portuguesa.
Já é hora de o deixar no cais e partir para novas aventuras.
Mas no nosso dia a dia quando tentas ser diferente e tentar pensar de outra forma és olhado com desdém...e outras coisas mais...
Ele ainda anda ai...
Mas o que penso ser pior é muita juventude e pessoas de média idade estão no mesmo caminho.

Eu há muito que deixei o cais...por isso sou um outsider...
Mas sinto-me bem assim...
Está na hora de acordar para uma nova realidade.

Viva Portugal!

Ludovicus - Eu sei o que sentes meu amigo, por pensar o mesmo é que escolhi para este dia a figura do Velho do Restelo... Bjk

Os velhos do Restelo de que nos fala Camões, ainda andam por aí, como sombras maldizentes e conspiratórias...

Um beijo Clitie...

Bons dias minha cara amiga!

Figura emblemática, o velho do Restelo simboliza toda a vontade de se manterem as coisas como elas estão. A pouca vontade de partir à aventura e descoberta... no entanto, no tempo em que Camões escreveu a sua Epopeia (apenas a obra mais famosa de Portugal) as viagens pelo mar representavam sempre muita dor e ausência... as taxas de mortalidade a bordo eram muito elevadas, a doença (o terrivel escorbuto principalmente grassava pela tripulação, por via da falta de alimentos frescos), por isso havia muitos que não viam a expansão com bons olhos. Mas mesmo assim, foi a época em que Portugal fez alguma coisa no mundo, embora concorde que o espirito do velho do Restelo se mantenha em muitos sectores desta sociedade...

Um beijinho, João

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