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sábado, outubro 22, 2005 

Os amantes sem dinheiro

Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.

Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.

Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.


Eugénio de Andrade

Posted by Clitie at 21:37

"Tinham fome e sede como os bichos"

gostei do poema
bela foto

jocas maradas

De Eugénio de Andrade tudo é bom, até "a falta de dinheiro"!
1 bj
Pedro

É uma delícia este poema.
Gosto particulaemente da imagem da lua de mão dada com a água(fabuloso!)e, de a cada gesto que faziam nascer um pássaro dos seus dedos...indizível!
A imagem é feliz,ou pelo menos eu acho...há obras quase perfeitas...se foi Deus,ainda um dia hei-de acreditar Nele!
Um beijo
maria

Têm fome, ponto final!
Bjx

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