Os amantes sem dinheiro
Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.
Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.
Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.
Eugénio de Andrade Posted by Clitie at 21:37
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.
Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.
Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.
Eugénio de Andrade Posted by Clitie at 21:37


"Tinham fome e sede como os bichos"
gostei do poema
bela foto
jocas maradas
Posted by
Su10:24 da tarde
De Eugénio de Andrade tudo é bom, até "a falta de dinheiro"!
1 bj
Pedro
Posted by
Português desiludido11:29 da tarde
É uma delícia este poema.
Gosto particulaemente da imagem da lua de mão dada com a água(fabuloso!)e, de a cada gesto que faziam nascer um pássaro dos seus dedos...indizível!
A imagem é feliz,ou pelo menos eu acho...há obras quase perfeitas...se foi Deus,ainda um dia hei-de acreditar Nele!
Um beijo
maria
Posted by
Anónimo1:45 da tarde
Têm fome, ponto final!
Bjx
Posted by
Canis Lupus Horribilis9:46 da manhã