« Home | Um mar rodeia o mundo de quem está só. É o mar sem... » | Solidão » | Ausência » | Passou já o tempo da decisão e agora já tenho a ... » | Noite » | Deixaste nua a minha alma depois de descobrires o ... » | Jorra-me o sangue da alma ao saber que estas per... » | Como gostaria de estar assim... à deriva num mar... » | "... não faltaram profetas que, no século XIX e na... » | Tocar a água que te banha seria para mim uma ben... » 

quinta-feira, agosto 25, 2005 

Soneto



Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perfeição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que para mim bastava amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que magoadas as iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa (a) que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.

De amor não vi senão breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!

Luís de Camões

Posted by Clitie at 22:44

Outros blogues