sábado, junho 25, 2005 

Um mar rodeia o mundo de quem está só. É
o mar sem ondas do fim do mundo. A sua água
é negra; o seu horizonte não existe. Desenho
os contornos desse mar com um lápis de
névoa. Apago, sobre a sua superfície, todos
os pássaros. Vejo-os abrigarem-se da borracha
nas grutas do litoral: as aves assustadas da
solidão. «É um mundo impenetrável», diz
quem está só. Senta-se na margem, olhando
o seu caso. Nada mais existe além dele, até
esse branco amanhecer que o obriga a lembrar-se
que está vivo. Então, espera que a maré suba,
nesse mar sem marés, para tomar uma decisão.

Nuno Júdice

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Solidão

Um mar rodeia o mundo de quem está só. É
o mar sem ondas do fim do mundo. A sua água
é negra; o seu horizonte não existe. Desenho
os contornos desse mar com um lápis de
névoa. Apago, sobre a sua superfície, todos
os pássaros. Vejo-os abrigarem-se da borracha
nas grutas do litoral: as aves assustadas da
solidão. «É um mundo impenetrável», diz
quem está só. Senta-se na margem, olhando
o seu caso. Nada mais existe além dele, até
esse branco amanhecer que o obriga a lembrar-se
que está vivo. Então, espera que a maré suba,
nesse mar sem marés, para tomar uma decisão.

Nuno Júdice

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Ausência

Sinto a tua ausência
no meu tempo,
no meu espaço,
no meu corpo.

Sinto a tua ausência
na jarra de flores,
no livro que leio,
pelas ruas.

Sinto a tua ausência
dentro de mim
ao meu lado nos passeios que dou
em tudo o que vejo
em tudo o que toco.

Estás ausente de mim
ou os meus olhos já não te veem?

Clitie (20/06/05)

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Passou já o tempo da decisão e agora já tenho a certeza que o tempo não volta atrás.
Ficámos suspensos à deriva e o tempo cada vez me empurrava mais, até que fez com que eu me distancia-se e jamais pudesse alcançá-lo outra vez.
Desisti porque não tenho forças para lutar, deixei-me ficar.
Gritei: "Façam de mim o que quiserem, porque já não existo!"

Clitie (97/05/09)

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sexta-feira, junho 24, 2005 

Noite



Sozinha estou entre as paredes brancas
Pela janela azul entrou a noite
Com seu rosto altissimo de estrelas.

Sophia de Mello b. Andersen

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Deixaste nua a minha alma
depois de descobrires
o mapa do meu corpo.
Atiraste para um canto
todos os sentimentos
expropriaste-me de mim
e fiquei sem terreno
onde enraizar-me.

Clitie (22/06/05)

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quinta-feira, junho 23, 2005 



Jorra-me o sangue
da alma
ao saber que estas
perdido para mim.

Clitie (22/06/05)

Posted by Clitie at 23:14 0 comments

 



Como gostaria de estar assim...
à deriva num mar sem tormentas
em que reinasse a calma
dos dias incomuns.

Clitie

Posted by Clitie at 20:22 0 comments

 

"... não faltaram profetas que, no século XIX e na primeira metade deste século XX, reflectiram, descobriram, anunciaram, proclamaram... E foram, por isso, censurados, odiados, rejeitados. Consideraram-nos como agitadores: cientistas, pensadores, sociólogos, artistas."

Le Corbusier

Galadriel

Posted by Clitie at 12:45 0 comments

quarta-feira, junho 22, 2005 



Tocar a água que te banha
seria para mim uma benção.

Clitie

Posted by Clitie at 22:52 0 comments

 

Interiores

Será que alguma coisa permaneceu
do nosso amor como inevitabilidade,
Uma saudade agora pousada na mão de Deus
existindo para sempre na sua breve eternidade?
(...)

Stephen Syncronous

Posted by Clitie at 22:15 0 comments

 

À medida que caminho
alteram-se os meus sentimentos
o que pensava ser esquecimento
é apenas saudade...

Clitie (23/06/05)

Posted by Clitie at 20:36 0 comments

 



Tenho um dia negro a guiar-me,
Tenho a alma transformada em noite
Hoje sou um buraco negro
No universo de mim,
Estão apenas os panos velhos
do meu pesar...

Clitie (22/06/05)

Posted by Clitie at 10:43 0 comments

terça-feira, junho 21, 2005 

Atrasa o teu tempo
para teres tempo para mim...

Clitie

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Violaste os meus sentidos
enquanto me esquecia de ti.

Clitie (20/06/05)

Posted by Clitie at 09:38 0 comments

segunda-feira, junho 20, 2005 

Se o teu pé se desviar de novo,
Será cortado.

Se a tua mão te levar
Para outro caminho,
Caíra apodrecida.

Se me afastares da tua vida,
Morrerás,
Ainda que estejas viva.

Continuarás morta ou sombra,
Caminhado sem mim pela terra.

Pablo Neruda

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Muda-me as cores
para que volte a sonhar...

Clitie (20/06/05)

Posted by Clitie at 10:12 0 comments

domingo, junho 19, 2005 

Escuto o silêncio das palavras. O seu silêncio
Suspenso dos gestos com que elas desenham
Cada objecto, cada pessoa, ou as próprias ideias
Que delas dependem. Por vezes, porém, as
Palavras são o seu próprio silêncio. Nascem
De uma espera, de um instante de atenção, da
Súbita fixidez dos olhos amados, como se
Também houvesse coisas que não precisam de
Palavras para existir. É o caso deste sentimento
Que nasce entre um e outro ser, que apenas
Se adivinha enquanto todos falam, em volta,
E que de súbito se confessa, traduzindo em
Breves palavras a sua silenciosa verdade.

Nuno Júdice

Posted by Clitie at 12:47 0 comments

 



Quero dizer-te uma coisa simples: a tua
Ausência dói-me. Refiro-me a essa dor que não
Magoa, que se limita à alma; mas que não deixa,
Por isso, de deixar alguns sinais – um peso
Nos olhos, no lugar da tua imagem, e
Um vazio nas mão, como se as tuas mãos lhes
Tivessem roubado o tacto. São estas as formas
Do amor, podia dizer-te; e acrescentar que
As coisas simples também podem ser
Complicadas, quando nos damos conta da
Diferença entre o sonho e a realidade. Porém,
É o sonho que me traz a tua memória; e a
Realidade aproxima-me de ti, agora que
Os dias correm mais depressa, e as palavras
Ficam presas numa refracção de instantes,
quando a tua voz me chama de dentro de
mim – e me faz responder-te uma coisa simples,
como dizer que a tua ausência me dói.


Nuno Júdice

Posted by Clitie at 12:42 0 comments

sábado, junho 18, 2005 



Emerges do silêncio como o remorso
Do tempo parado na distância.

És cinza volátil transcorrendo
Da superfície rugosa das palavras.

O teu corpo já não acende
Nos meus olhos a paixão e o tema:

Passas rente ao verso
Mas não entras no poema.


António Arnaut

Posted by Clitie at 12:35 0 comments

sexta-feira, junho 17, 2005 

Sou uma ilha no imenso mar da noite
Nenhum barco acorda a minha solidão.
Na praia desolada dos meus sonhos,
Só o vento continua a ser irmão.

António Arnaut

Posted by Clitie at 22:40 0 comments

 



Amor…
Já senti, amor de menina,
Inocente e intenso.
Um primeiro amor
Sem hesitações.

Um primeiro amor
Que explode no peito,
Que nos faz divagar
Num mundo desconhecido
À nossa espera.

Um primeiro amor
Sonhador, grandioso
Impossível de esquecer.

Clitie ( 13/06/05)

Posted by Clitie at 15:47 0 comments

 


Ao caminhar pelas areias
decidi deixar-te.

Pablo Neruda

Posted by Clitie at 11:40 0 comments

 

- Em que século estamos nós nesta montanha? - tornou a dama do paço.
- Em que século?! O século tanto é dezoito aqui como em Lisboa.
- Ah! sim? Cuidei que o tempo parara aqui no século doze ...

(Amor de Perdição - Camilo Castelo Branco)
Galadriel

Posted by Clitie at 00:09 0 comments

quinta-feira, junho 16, 2005 

Apresentação

Caros amigos,

Eu e a Clitie agradecemos imenso a vossa presença e o vosso apoio no nosso blog...

Venho por este meio apresentar-me (tenho estado bastante afastada deste blog por motivos de força maior), Galadriel é o meu nickname...

Clitie é a poetisa de alma e feitio (tem jeito para escolher as fotos, mas desajeitada quando se trata de tirar fotografias, lol)
Galadriel é a fotografa e futura arquitecta !

Temos uma dúvida... Como identificar os posts !?
existem posts q foram colocados por mim (exemplo : saudades) e outros pela Clitie... E gostaríamos, onde aparece escrito por Vida em Monólogo,
aparecesse Clitie ou Galadriel.

Para evitar que não haja confusão no futuro, por favor, uma alma caridosa que nos ajude...

Obrigada e vemo-nos no encontro dos blogs (ah é verdade, já fizeram a inscrição? Estão à espera do que ?)

Beijos a todos

Galadriel

Posted by Clitie at 14:20 0 comments

 

Há um rio a correr dentro de mim
Cheio de princípios
Mas que não sabe ter
Um fim

Posted by Clitie at 09:18 0 comments

 

Nunca se deve escutar.
Escutar é um sinal de indiferença para com os que estão a ouvir.

Óscar Wilde

Posted by Clitie at 08:23 0 comments

 



Ao tempo que partiste
E ainda estás em mim,
Será possível?

Clitie (16/06/05)

Posted by Clitie at 08:20 0 comments

quarta-feira, junho 15, 2005 



Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?

(Fernando Pessoa)

Posted by Clitie at 18:38 0 comments

 

Tenho o espirito devassado
penetraste na minha escuridão
Quando te vi ao longe
não sabia se te queria
mas aos poucos
foste sendo o ar que respiro
o fundo do meu olhar
a sensibilidade do meu toque.

Foste sendo tu
Em minha substituição
porque eu transformei-me
apenas, na tua sombra.

Posted by Clitie at 14:14 0 comments

 


É preciso dizer sempre aquilo que se vê;
sobretudo, e isso é o mais difícil,
é preciso ver sempre aquilo que se vê.

(Le Corbusier)
Galadriel

Posted by Clitie at 12:52 0 comments

 

Amar!
Infinito verbal
intemporal
e verdadeiro
onde o próprio infinito
cabe inteiro.

António Arnaut

Posted by Clitie at 09:14 0 comments

terça-feira, junho 14, 2005 


Hoje vou baixar os braços
sair cabisbaixa
da sala onde toda a gente
aguarda que eu discurse.
Estou vazia, sem contexto
Não tenho imagem para transmitir.

Posted by Clitie at 14:12 0 comments

 

Vestido novo

Hoje aprumei-me
vesti um vestido novo,
só para ti.
Mas tu, novamente,
não apareceste...


Posted by Clitie at 13:13 0 comments

segunda-feira, junho 13, 2005 

Luar


Foste luar
Foste sol profundo
do intimo do meu ser,
Infinito pôr-do-sol,
um mar espelhado de estrelas.

Foste o meu afogamento
Juraste-me salvação.
Foste braço salvador
que me arrancou do túmulo.

Foste um rio
Correndo dentro de mim.
Foste o meu chão
Foste o meu fruto.

Foste o meu silêncio
nas noites de amargura.
Foste um lar
sem abrigo.

Foste rei no meu país...
Mas eu
nunca reinei a teu lado!

Clitie (12/06/05)

Posted by Clitie at 21:31 0 comments

domingo, junho 12, 2005 

Lenny Kravitz


Hoje
arde um fogo em mim
e o tempo não passa
nunca mais chega a hora
de ver Lenny!!

Posted by Clitie at 13:52 0 comments

 

Eu amei-te

Eu amei-te; mesmo agora devo confessar,
Algumas brasas desse amor estão ainda a arder;
Mas não deixes que isso te faça sofrer.
Não quero que nada te possa inquietar.
O meu amor por ti era um amor desesperado,
Tímido, por vezes, e ciumento por fim.
Tão terna, tão sinceramente te amei.
Que peço a Deus que outro te ame assim.

Aleksandr Púshkin

Posted by Clitie at 12:22 0 comments

sábado, junho 11, 2005 

Soneto



Nunca terei, não tenho nunca. Na areia
a vitória deixou seus pés perdidos.
Sou um pobre homem disposto a amar seus semelhantes.
Não sei quem és. Amo-te. Não dou, não vendo espinhos.

Alguém saberá talvez que não teci coroas
sangrentas,que combati a burla
e que em verdade enchi a preia-mar da minha alma.
Paguei a vileza com pombas.

Eu nunca tenho porque diferente
fui, sou, serei. E em nome
do meu amor mutante proclamo a pureza.

A morte é só pedra do esquecimento.
Amo-te, beijo na tua boca a alegria.
Tragamos lenha. Acenderemos uma fogueira na montanha.

Pablo Neruda

Posted by Clitie at 20:46 0 comments

 

Poema sobre o amor



Hoje de manhã, ao acordar,
pensei:
Hoje, o amor vai assaltar-te
embora não soubesse como ele é
nem o que vale.

Jurgen Theobaldy

Posted by Clitie at 14:40 0 comments

 



No silêncio da noite
procuro uma razão

não encontro neste mundo
Nada que preencha este vazio
Causado pela sua partida.

Não mais os dias serão os mesmos
Não mais a vida terá o mesmo valor
Sinto que morro aos poucos
Sem ninguém o perceber.

Clitie (1990/09/26)

Posted by Clitie at 12:30 0 comments

sexta-feira, junho 10, 2005 

Há marcas que nem com o passar
do tempo desaparecem...

Posted by Clitie at 20:25 0 comments

 

Tocar

As minhas mãos
abrem as cortinas do teu ser
vestem-te com outra nudez
descobrem os corpos do teu corpo
As minhas mãos
inventam outro corpo
para o teu corpo.

Octavio Paz

Posted by Clitie at 12:50 0 comments

 

Bitácula



Não conhece a arte de navegar
quem nunca navegou no ventre
de uma mulher, remou nela,
naufragou
e sobreviveu numa das suas praias.

Cristina Peri Rossi

Posted by Clitie at 12:46 0 comments

 

Foto



Encontrei a tua foto
dentro de um bloco de notas.
Era aquele bloco
em que anotávamos as nossas recordações,
Agora só tem folhas em branco
porque já não tenho nada...
para anotar.

Posted by Clitie at 11:08 0 comments

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