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segunda-feira, maio 16, 2005 



Não te amo, quero-te: o amar vem d'alma
E eu n'alma - tenho a calma,
A calma - do jazigo.
Ai! não te amo, não.

Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida - nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!

Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição.

E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.

E infame sou, porque te quero, e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!...não te amo, não.

Almeida Garrett
(de tudo o que tenho lido, até agora, este é um dos meus preferidos)

Posted by Clitie at 20:42

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