terça-feira, maio 31, 2005 



Na minha cama desfeita
ainda o teu calor se deita.

António Arnaut

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No canto de uma esquina
ensolarada pelos chuviscos
Encarei-te,
encarei a vida,
descobri coisas boas
coisas más,
sentimentos e sensações...

Descobri uma gota de mel
no teu corpo,
O mel mais puro do teu ser.
Tinhas na mão
a taça do nectar que eu provei,
e uma bandeja cheia de toques
pelos quais eu esperei.

31/05/05

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segunda-feira, maio 30, 2005 


Meu amor,
Os malmequeres que me ofereceste
coloquei-os eu ali ao canto,
em jarra chei ade água e de amor
para ver se resistem por mais tempo.

29/05/05

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domingo, maio 29, 2005 

Pena Capital

Para os lábios
que o homem faz
que atraem beijos
ao redor do mundo
ficou na nossa memória
qualquer parte a qualquer hora
um pedaço
de pão

Promessa
que se cumpre
que alimenta
o mundo

Olhos
a exigir
uma floresta
Mário Cesariny

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sábado, maio 28, 2005 

Aroma no vento

O aroma que trazes no vento
pode ser perigoso
O aroma que trazes no vento
traz com ele a doçura da paixão.

Esse aroma que te veste
da cor do vento,
da cor da terra
da cor do mundo,
que construíste com olhares
e gestos e beijos e prazeres
e caminhaste até ao seu fim.

Esse aroma que te traz cativo
preso aos sentidos da alma,
que te faz perder os sentidos
e ficar em delírio.

Esse aroma que trazes no vento
chegou até mim.

22/05/05

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Ao entardecer, debruçado pela janela,
E sabendo de soslaio que há campos em frente.
Leio até me arderem os olhos
O Livro de Cesário Verde.
(...)

Alberto Caeiro

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Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha.
É a minha maneira de estar sozinho.

Alberto Caeiro

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quinta-feira, maio 26, 2005 



Sinto-me arrastada,
arrastada pela maré
e a maré és tu!

Estou sem forças para combatê-la
(nem quero!)
E deixo que me leves
para outro lugar...

Um lugar só nosso
sem tempo, sem obrigações
onde vamos ser uma ilha isolada.

29/04/05

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Vou medir a distância que nos separa para me certificar que não há um mundo entre nós.

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quem amo tem cabelos
castanhos e castanhos
os olhos, o nariz
direito, a boca doce.
em mais ninguém conheço

tal porte do pescoço
nem tão esguias mãos
com aro de safira,
nem tanta luz tão húmida
que sai do seu olhar
(...)

Vasco Graça Moura

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quarta-feira, maio 25, 2005 

A noite na ilha


Dormi contigo
e, ao acordar, tua boca,
saída do teu sono,
trouxe-me o sabor da terra,
da água do mar, das algas,
do âmago da tua vida,
e recebi teu beijo,
molhado pela aurora,
como se me viesse
dos mar que nos cerca.

Pablo Neruda

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Lúbriga

Mandaste-me dizer,
No teu bilhete ardente,
Que hás-de por mim morrer,
Morrer muito contente.

Lançaste no papel
As mais lascivas frases;
A carta era um painel
de cenas de rapazes!

Cesário Verde

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Cem Sonetos de Amor



Amor, quantos caminhos para chegar a um beijo,
que solidão errante até chegar a ti!
(...)

Pablo Neruda

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terça-feira, maio 24, 2005 

Again



I've been searching for you
I heard a cry within my soul
I've never had a yearning quite like this before
Now that you are walking right through my door

All of my life
Where have you been?
I wonder if I'll ever see you again
And if that day comes
I know we could win
I wonder if I'll ever see you again

A sacred gift of heaven
For better, worse, wherever
And I woul never let somebody break you down
(...)

Lenny Kravitz

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(...)
no céu terei sempre um pedaço de lua de açucar e uma estrela para iluminar teu rosto de árabe antigo.

Al Berto

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Aquieta-te coração
baixa a tua voz,
também se ama em silêncio
baixinho,
sem pressas
porque mandei parar o tempo.

23/05/05

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Conclusão:
descobri que este amor
não foi esquecido
apenas...
fiquei sem forças para lutar
contra a estagnação das nossas vidas.

23/05/05

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segunda-feira, maio 23, 2005 

Um vale

Existe um vale,
Onde o encontro dos amantes é inevitável
Em toda a sua extenção
alcança o infinito.

Existe um milagre
que nos faz pensar numa nova forma de existir,
O desespero não impera
Reina a alegria.

Existe um vale
em que clareia o dia
E reina a paz.

Existe um vale...
Nele rola uma pedra,
Será vida? Será morte?

96/10/26

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Lembrarás aquela encosta caprichosa
a que os aromas palpitantes treparam,
de quando em quando um pássaro vestido
com água e lentidão: traje de inverno.

Lembrarás os dons da terra:
irascível fragrância, lama de ouro,
ervas do matagal, loucas raízes,
sortílegos espinhos como espadas.

Lembrarás o ramo que trouxeste,
ramo de sombra, de água e de silêncio,
ramo como uma pedra com espuma.

E aquela vez foi como nunca e sempre:
vamos ao sítio onde nada espera
e achamos tudo o que nos está esperando.

Pablo Neruda

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domingo, maio 22, 2005 


A cada verso que leio
uma lágrima se solta,
A cada sorriso que vejo
um sonho,
A cada sussurro
um grito que ecoa no meu ser.

Por cada amante que me possui
por uma noite apenas,
dou-lhe o mundo.

E como um brinquedo
de mão em mão,
Aguardo o dia
em que se vão esquecer de mim.

21/05/05

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O Dom Supremo


O Amor é Paciência.
Este é o comportamento do Amor, esperar com calma, sem pressa, sabendo que em determinado momento ele se poderá manifestar.

Henry Drummond

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Minhas mãos de pedra
te tocaram
para se desfazerem
no sentir de maciez
da tua pele pura.

21/05/05

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Tu vinhas


Não me fizeste sofrer
mas esperar.
(...)

Pablo Neruda

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sábado, maio 21, 2005 

O Esquecimento

Todo o amor é uma taça
larga como a terra, todo
o amor com estrelas e espinhos
te dei, mas tu andaste
com pés pequenos, com calcanhares sujos
sobre o fogo, apagando-o.

Ai, grande amor, pequena amada!

Não me detive na luta.
Não deixei de caminhar para a vida,
para a paz, para o pão para todos,
mas ergui-te em meus braços
e amarrei-te aos meus beijos
e olhei-te como nunca
voltarão a olhar-te olhos humanos.

Ai, grande amor, pequena amada!

Não mediste, então, minha estatura,
e ao homem que para ti separou
o sangue, o trigo, a água,
confundiste-o
com o pequeno insecto que te pousou na saia.

(...)

Pablo Neruda
(a cada verso seu mais me apaixono)

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Eras pureza
Eras virgindade,
Eras fonte
de onde brotava o meu mel.

Eras mar,
Eras centro do meu ser,
Eras a minha alma.

Eras música
Eras murmúrio,
Eras o meu corpo feito poesia.

20/05/05

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sexta-feira, maio 20, 2005 


A maioria dos dias não os passo cá, mas num mundo só meu, que eu criei para as minhas alegrias...e quem se quiser juntar a mim, será bem-vindo, com a condição de deixar de fora as tristezas.

2005/05/14

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Ele já não vem!
Ele já não existe!

Por fora é tudo normal,
mas por dentro é que conta,
Não mostro.
Não falo, nem conto o que vi
e muito menos o que sei!

E não sei explicar,
nem mesmo eu sei o que faço!
Sai de dentro de mim,
Não me recordo se...
E quando acordo já esqueci!
E também não quero lembrar,
Seria suicídio.

93/04/27

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If you're not the one

If you're not the one then why does my soul feel glad today?
If you're not the one then why does my hand fit yours this way?
If you are not mine then why does your heart return my call
If you are not mine would I have the strength to stand at all

I never know what the futur brings
But I know you are here with me now
We'll make it through
And I hope you are the one I share my life with

Daniel Bedingfield
(podem chamar-me sentimental, mas adoro a letra desta musica...)

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Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha.
É a minha maneira de estar sozinho.


Alberto Caeiro

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quinta-feira, maio 19, 2005 

Vou guardar as minhas recordações para que nenhuma se perca...

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Purinha


O Espírito, a Nuvem, a Sombra, a Quimera
Que (aonde ainda não sei) neste Mundo me espera;
Aquela que, um dia, mais leve que a bruma,
Toda cheia de véus, como uma Espuma,
O Senhor Padre me dará pra mim
E a meus pés me dirá, toda corada: Sim!
(...)

António Nobre

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Ausência


Desde que, por não te ver,
Vejo tudo...noite escura,
Resta-me só a ventura
De duvidar em dizer:

- Qual mais custa: se a trizteza
Dum adeus amargurado,
Se a dura e firme certeza
De estar penando a teu lado.

Silva Gaio

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quarta-feira, maio 18, 2005 

dolphins & mermaids

(...)
papel pardo do embrulho a resguardar
mais que a pintura, fulgores, desequilíbrios
de forma e de alma. olhos febris, decerto.
a casa, tão longe a casa, tão difíceis
(...)

Vasco Graça Moura

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Para venda


Já tive de tudo para vender
mas não havia dinheiro
algum que comprasse.
Agora dedico-me a oferecer,
o que tenho,
a quem quiser aceitar.

14/05/05

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terça-feira, maio 17, 2005 


Por vezes a vergonha devora-nos
e o medo atinge-nos,
o desgosto...esse é nosso eterno amigo,
e a tristeza resolve fazer-nos uma visita de cortesia.

Por vezes estamos rodeados de gente
e sentimo-nos sós,
Porquê? Não sei.
Por vezes tenho medo de olhar para trás
Mas á minha frente há um abismo.

Por vezes...
Não sei! Há trevas, sim isso há!
Porquê? Não sei.
Sei apenas aquilo que sou,
Planeta de rocha e neve...

93/05/06

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Gustave Flaubert

"Ele andava á roda no seu desejo como o preso no cárcere"

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Madrigal


ao ser dito vacila
o mundo na palavra
que ao nomeá-lo enquanto
o dá o falsifica

e enquanto perseguimos
o falso? o verdadeiro?
há sempre mais daquilo
que vamos desdizendo

no acto de o dizer
sobre a fronteira estranha
que restitui o mundo
assim precariamente

por exemplo, ao tocar
nas tuas mãos é falso
que não estejas aqui.
mas porque estás ausente?

Vasco Graça Moura

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Viagem

Abraço o teu corpo no oceano
da noite; e um barco emerge do teu sexo,
com seu mastro de fogo,
inundando o teu rosto com a luz
branca do desejo
.

Nuno Júdice

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segunda-feira, maio 16, 2005 

Guardador de rebanhos


Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr do Sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.

Alberto Caeiro

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Não te amo, quero-te: o amar vem d'alma
E eu n'alma - tenho a calma,
A calma - do jazigo.
Ai! não te amo, não.

Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida - nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!

Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição.

E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.

E infame sou, porque te quero, e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!...não te amo, não.

Almeida Garrett
(de tudo o que tenho lido, até agora, este é um dos meus preferidos)

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domingo, maio 15, 2005 

Por tudo aquilo que quero, por tudo aquilo que tive e por tudo o que desejo e nunca chega até mim.
Por todas as palavras que já disse e que as pessoas fingem ouvir.
Por tudo aquilo que faço e que ninguém vê o verdadeiro sentido.
A minha vida levada em solidão, no centro de todos os que me rodeiam.
Por todas as perguntas que ficam sem resposta porque ninguém olha, verdadeiramente, na minha direcção.
Estes são os meus monólogos.

14/05/05

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sábado, maio 14, 2005 



não nos faz mal acreditar em contos da fadas, pelo contrário, transporta-nos na barca das ilusões...

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quinta-feira, maio 12, 2005 

O rosto cristalizado pela idade,
O corpo definhado pelo tempo.

Segue o seu caminho
Entre a multidão,
vai descalça e ultrajada
De Olhos quase cegos.

Pedindo aqui, pedindo ali
por umas migalhas,
de atenção.

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quarta-feira, maio 11, 2005 



Tenho a alma feita num rio.

Um rio de entardecer
com restos de Sol.

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terça-feira, maio 10, 2005 

Tenho gasolina
para umas voltas extras,
passo no mesmo quarteirão
pela décima vez

Só agora reparo
que daquele alpendre
brotam campainhas...

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segunda-feira, maio 09, 2005 


"É assim que tudo começa" - foi o que sempre ouvi dizer...Tudo à nossa volta brilha e nada é feio de mais...
Todos os pássaros cantam e mesmo num céu coberto de nuvens descobrimos uma estrela!
Tudo é alegria, tudo é poesia e qualquer palavra é músical...
Até do alcatrão brotam flores!
E isto é apenas o começo...

Posted by Clitie at 20:32 0 comments

domingo, maio 08, 2005 



Estou sem sentidos
levaste-me a alma.

Não sei se sem querer...
estou nua.

Deitam-me olhares estranhos na rua,
Não sei bem porquê.

Sigo o meu caminho
sem amparo, sozinha

Posted by Clitie at 19:54 0 comments

sexta-feira, maio 06, 2005 


Perdi-me
no mar dos teus olhos,
Como a espuma na areia
entranhei-me neles.

Fiz deles cais e ponte,
Amarra sem ancora.

Afoguei-me nos sentidos,
Eras cardume,
Eras coral,
Foste ilha onde naufraguei.

Perdi-me
no mar mais profundo,
de mim...

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