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segunda-feira, março 21, 2005 

Soneto

Vaidade, meu Amor, tudo Vaidade!
Ouve: quando eu, um dia, for alguém,
Tuas amigas ter-te-ão amizade,
(Se isso é amizade) mais do que, hoje, têm.

Vaidade é o Luxo, a Glória, a Caridade,
Tudo Vaidade! E, se pensares bem,
Verás, perdoa-me esta crueldade,
Que é uma vaidade o amor de tua mãe.

Vaidade! Um dia, foi-se-me a Fortuna
E eu vi-me só no Mar com minha escuna,
E ninguém me valeu na tempestade!

Hoje, lá voltam com seu ar composto,
Mas, eu, vê lá! eu volto-lhes o rosto...
E isto em mim não será uma vaidade?

António Nobre in "Só".

Posted by Clitie at 09:00

 

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Clitie (carla_faleiro@hotmail.com) Galadriel (vfaisca@gmail.com)

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