segunda-feira, março 28, 2005 

Amor de perdição

"Os poetas cansam-nos a paciência a falarem do amor da mulher aos quinze anos, como paixão perigosa, única e infléxivel. Alguns prosadores de romances dizem o mesmo. Enganam-se ambos. O amor aos quinze anos é uma brincadeira; é a última manifestação do amor às bonecas; é tentativa da avezinha que ensaia o voo fora do ninho, sempre com os olhos fitos na ave-mãe, que está na fronde próxima chamando: tanto sabe a primeira o que é amar muito, como sabe a segunda o que é voar para longe."


"Em cada mulher, quatro mulheres incompreensíveis, pensando alternadamente como se hão-de desmentir umas às outras."

Camilo Castelo Branco, in Amor de Perdição

Este foi um livro da minha adolescência e que ainda hoje me lembro, quem não se lembra?
Quem aos quinze anos não se imaginou uma Teresa?
Quem não sentiu compaixão pelos amantes separados?
Quem não chorou com pena de Mariana, a fiel amiga?
Quem não sonhou com Simão?...

Este foi um dos livros da minha vida, agora a idade é outra mas confesso que o gosto pela nossa literatura continua.

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Retalhos de um livro que guardo no armário

AH! Pensei que eras tu...

Enganei-me, era outro eu...feito do mesmo material,
O genérico ficou para trás e a fórmula perdeu-se,
misturou-se com um qualquer Tu, que depois a abandonou
em função de uma qualquer imagem, menos repugnante, mais apetecivél, menos desgostosa e mais fácil de adquirir.
Chegámos a uma fase em que nos é inútil discutir o que quer que seja,
a vida esvai-se e não há tempo a perder, o que resta não nos pode escapar tão fácilmente,
Desprezo-me e não sei o que fazer...
Já não sonho...
Os meus sonhos estão ocupados por seres desconhecidos.

Tu, o meu bem mais precioso, desapareceste
E o que me resta são um nada de particulas de dor.

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domingo, março 27, 2005 

Solidão

Há solidão aos pares
Há solidão no meio da multidão,
Há solidão num corpo só.

Hoje sinto-me como um vaso no canto da janela,
a planta que foi deixada a morrer...
Não tem alma
e já deixou de ser.

Hoje sinto o desespero
de tudo o que carreguei por anos.
Estou finalmente perdida
Como se todas as ondas do mar do Norte
Me tentassem derrubar.

Hoje é a dor que me sufoca,
São as palavras,
São os gritos contidos no peito!

Hoje é tudo o que deixei para trás
Hoje é tudo o que amei,
Hoje é tudo o que odiei,
Hoje é tudo o que há-de vir.

Hoje chega a solidão...
Em forma de cadeira no jardim, abando nado,

Hoje é o dia em que a solidão
Toma conta de mim.

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segunda-feira, março 21, 2005 

Soneto

Vaidade, meu Amor, tudo Vaidade!
Ouve: quando eu, um dia, for alguém,
Tuas amigas ter-te-ão amizade,
(Se isso é amizade) mais do que, hoje, têm.

Vaidade é o Luxo, a Glória, a Caridade,
Tudo Vaidade! E, se pensares bem,
Verás, perdoa-me esta crueldade,
Que é uma vaidade o amor de tua mãe.

Vaidade! Um dia, foi-se-me a Fortuna
E eu vi-me só no Mar com minha escuna,
E ninguém me valeu na tempestade!

Hoje, lá voltam com seu ar composto,
Mas, eu, vê lá! eu volto-lhes o rosto...
E isto em mim não será uma vaidade?

António Nobre in "Só".

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domingo, março 20, 2005 

Nos altos muros soam mais os ventos

Era noite escura...entre as chuvas - e esta chuva mais parecia lágrimas
derramadas sobre um leito de luz...- da janela do meu quarto...observei

as árvores que se mexiam numa dança constante. Mirei as nuvens...essas
formavam castelos assombrados, ela presa nas suas torres esperando...

Entretanto, nos altos muros, soam os ventos e ela espera...De repente um
grito! Como um sinal de despedida. Ela recolhe-se, desiste de esperar e cessa o
sofrimento.

Nos altos muros continuam a soar os ventos!

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sexta-feira, março 18, 2005 

O que faltava à mesa

A colher de prata,
O prato de caviar
Estava tudo lá.
O que faltava à mesa...
Era... O teu sentido de humor
O teu perfume, no ar
Meu amor.
O que faltava à mesa...
Era o teu sorriso
angelical.
O teu rosto
inocente.
Os teus gestos
leves.
Meu amor
O que faltava à mesa...
Eras tu!
Na sombra do teu sorriso
A transparência
dos teus sentimentos.

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